"... É um drama fazê-lo dormir..."

"... É um drama fazê-lo dormir..."

 

"... É um drama fazê-lo dormir..."

Nem é para menos, se considerarmos que V. minha senhora, vê no seu garoto mais um lindo brinquedo, um brinquedo animado pela vida, do que mesmo um novo ente entregue pelo bom Deus aos seus cuidados de mãe.

Você o tem agora como a grande novidade da estação, e passa o dia a excitá-lo com agrados exagerados, "bi-lú-bi-lús" para que ele sorria, afagos, cheiros, passando-o de braços em braços para que todos o admirem, olhem como ele é a "cara do Pai", como é bonito, como é engraçado, como é "inteligente", como tem cara (v. diz "pinta") de quem vai ser isto e aquilo, leva-o em horas impróprias, no seu carro, para cima e para baixo, e depois... bem, depois "é um drama fazê-lo dormir".

Escute aqui: Você está se portando como uma mãezinha de 1o. ano, e considere comigo que o seu garoto não é um boneco aperfeiçoado mas um menino de verdade. Ele é um pequenino ser vivo e o seu sistema nervoso já começa a fixar impressões decorrentes da conduta dos adultos que o rodeiam muito antes de se apresentar ele em condições de aprender o que quer que seja. As excitações tão freqüentes como o manter a criança nos braços, estar a balançá-la todo o dia, a embalá-la com músicas e cantorias, mesmo estas que são as mais "inocentes", afetam profundamente a sua sensibilidade. E são capazes de influenciar o seu sistema nervoso ao ponto de perturbar seu sono. Isto agora, porque a sua conduta, exaltando-lhe a sensibilidade, constituirá, depois, como que um nódulo inconsciente que poderá provocar, mesmo daqui a muito tempo, as mais diversas perturbações emocionais. Quem não dormirá depois será você...

Se o seu filho chora, que faz você? Esbalda-se em movimentos à sua volta, dança, salta, canta, faz gatimonhas para o garoto, fala para ele em todos os tons, desde a súplica até os gritinhos de intimidação. Se não obtém resultado com toda essa pantomina, já cansada e quase esgotada, passa a tentar adverti-lo, como se ele entendesse o sentido das suas palavras e, por fim, como isto não acontece, não resiste ao impulso de dar-lhe uma ou duas palmadinhas. Quanto esforço inútil!!! Se a criança chora, deixe-a chorar no seu berço (naturalmente verifique se alguma coisa a está traumatizando, se está sentindo alguma dor, mas se isto não occorre então deixe-a expandir seu choro). Acontece que, muito cedo, se apercebe a criança de que o choro é a sua grande arma. Cria-se a "manha", mas se v. é responsável por essa forma de reação não está vendo que não será agora com esse seu bate-e-sopra que tudo se modificará?

O que você precisa é de um programa de vida. Um programa de vida que lhe permita cuidar eficientemente do seu bebê e de cuidar-se de si mesma. Um programa de vida que condicione as necessidades da criança a horários. Horário exato para a alimentação, horário exato para dormir. Calma e sossego que permitam que ela possa adormecer naturalmente, ou seja que lhe permitam repousar em boas condições para o sono. Isto não quer dizer que se deixe levar pelo exagero de impedir os ruídos normais da casa. Não será necessário exigir uma "cortina de silêncio absoluto", ou impor a todo mundo que "fique calado, não fale, cuidado que o nenen está dormindo". Bastará um relativo ambiente de calma para lhe proporcionar a tranqüilidade necessária.

Verifique a roupa do seu berço que deverá manter-se limpa e fresca. Se o quarto está suficientemente arejado, se a luz não o incomoda (o garoto deve ser habituado a dormir no escuro e sozinho no seu próprio quarto). Se o menino está limpo e de roupa leve, adequada. Então o garoto estará em boas condições para adormecer por si mesmo, sem a participação dos adultos, sem ambalos, sem cantorias, sem carícias, sem rituais. Lembre-se de uma coisa, carinho é uma coisa completamente diferente desse "dengo" para dormir.

Acabe também com o costume de levar visitas para ver o nenen adormecido, com o hábito de acordá-lo para que elas vejam como ele está "engraçadinho". Ele não é um boneco que abre e fecha os olhos instantâneamente. Respeite o seu descanso, deixe-o dormir sozinho e resista ao desejo de o estar inspecionando a todo o momento. E depois, bem, depois você vai descobrir que todo o drama era ensaiado por você mesma.

Fonte:

http://sitededicas.uol.com.br/dicasps1.htm